Montag, November 15, 2004

Remexendo no passado ...II



Acordou sobressaltada.
Por momentos ...e por entre as brumas do sono, pensou que tudo tivesse sido apenas um horrivel pesadelo.
Mas não!
Depressa se deu conta que esta era a sua realidade.
O mesmo cheiro pestilento, o mesmo sabor amargo na boca.
O mesmo desespero!

Que horas seriam!? Pensou ...
Faltaria muito para amanhecer!?

Estava escuro lá fora, no quarto e no seu mais adentro.
Não podia mexer-se!
Os braços já não os sentia, adormeceram-lhe pela imobilidade.

E ele?
Onde estaria?
Teria ido embora? Deixando-a ali ...assim!!
Tinha de fazer algo, não podia continuar inerte e à mercê alheia ...
Tinha que procurar a guerreira que nela exitia, aquele espirito aventureiro e desafiador que sempre a acompanhou.

Tentou concentrar-se, serenar o melhor que pudesse e pensar.
Amarrada não podia fazer muito, pensou.
Lutar de nada lhe valeu, vistas as diferenças fisicas.
Ele era grande, corpulento ... para a estatura dela, um gigante.

Gritar!
Não ... ninguém ouviria.
E gritar como ...se a voz não lhe saía.
E ele a calaria antes.Não ...

Pensa, pensa ...pensa algo. Sai daí.

Algo se moveu ao seu lado ...
Estava ali, olhando para ela ..de olhos brilhantes.
Sentiu os dedos dele recomeçando a tocar-lhe ..
pareciam ferros queimando-lhe a pele à sua passagem, marcando a fogo e dor.

Num relance de lucidez, gritou-lhe!
E com uma calma que não sentia, pediu-lhe que a deixasse que a soltasse.
Que não gritaria ...
Perante o olhar negativo dele.Tentou mais uma vez;
(apelando ao seu instinto e às forças que tirou nem sabe de onde)
tentou um timbre de uma quase meiguice na voz e um 'por favor' ...preciso ir ao wc.

Ele olhou-a diferente ...quase que surpreendido.
Talvez desconfiasse.Olhou-a firme, directo.
(Não viu mais que olhos).
E por segundos que pareciam séculos, concedeu-lhe 'a graça'.

Desamarrou-lhe os laços que a prendiam;
atirou-lhe um qualquer trapo que ela arremassou às pressas, vestiu-se tentando controlar o tremer e sobrepôr-se à dor, ao medo e ao receio que escutasse o seu pensamento.

Passou-lhe perto, sem o olhar ...e correu dali para fora, refugiando-se no unico lugar que lhe ocorreu.
Cambaleante tateou a porta e fechou-a à chave.

Deixou o corpo escorregar, enroscou-se em si mesma ...e chorou.



Kommentare:

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