Samstag, September 20, 2008

"Acalanto"







No peito em desabrigo,
Anunciam-se vendavais de saudades.
De fragilidades armadilhadas de essências de Tempos idos.

E não há como escapar ou sobreviver-lhes ...
Tatuam-se na alma, avivam cicatrizes.
Chovem nos olhos nus.

Rugem na memória como cães esfomeados e sem dono.

Restam-me as palavras escritas, as murmuradas,
As não ditas, as sonhadas.
As que guardo sigilosamente, ninando-as docemente.


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Entre teus fantasmas e os meus sonhos,
Há oceanos de melancolia e silêncio.
E entre a minha e a tua boca ... na demora,
Gasta-se-nos a vida inteira!

Dienstag, August 12, 2008

"Branca alvorada"



Rasga-se-me o olhar em cachoeiras salgadas,
Embebendo a noite, alagando-a de silêncios
E de nuas ausências, demoradas.

Entrelaçam-se madrugadas num aurorejar luminoso.
Recamadas de estrelas em seda de luz.
Na lagoa dourada, leito duma lua enamorada.
Num desamodorrar preguiçoso.
De Amor, gotejo!






Nesta manhã, inundada de mistério,
Ofereço-te o sorriso molhado, no sal dos teus lábios.
Doo-te este querer, serenado.
Um caminho nosso, amadurado.
E o sentir, imorredoiro
Alado!

Mittwoch, Juni 18, 2008

(Reticências)




Parecia que para ti, eu não era invisível. Que a sensibilidade detrás do silêncio,
era palpável aos teus sentidos. Que o carinho fluía nas entrelinhas, retocadas de reticências, demasiado eloquentes.

Enganei-me!?

Continuo transparente a olhos nus. Oscilo entre a intolerância de alguns e a incompreensão de muitos. Entre a maldade de uns, e a ignorância de outros.

E então, para atenuar o pesar, existem as gavetas da memória, disfarçadas na alma. Um aconchego.
Aí jazem os sonhos que desacreditamos, as cartas amarelecidas, os sorrisos que não voltam. As ilusões que criamos.
Tudo fica lá, guardado ...suspenso e inacessível. O som das melodias partilhadas, das frases repetidas, abafadas na lonjura dos sentidos.
E um dia ...

Um dia, quando o tempo cicatrizar as feridas e as mágoas ficarem mais leves.
A gente (faz de conta que) esquece!

Montag, Juni 09, 2008

“...Em frente ao Mar”




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Olhar-me nos teus olhos,
E sentir-me nos teus braços.
Era como... voltar a casa!

Não reparei que as paredes tremiam,
Como folhas de papel.
Que ruem, desmoronando-se
a verdades mascaradas.

Não vi, não percebi, que carecia de tecto,
E que dentro... chovia!



Chão, não tinha.
Não existia!
Era mármore frio,
De altos e baixos, pedaços.
O sonho desrespeitado, profanado,
Ao acordar ..a ilusão morria!

Não era casa, nem moradia.
Era barraca esmolada de fantasia.



Mittwoch, Juni 04, 2008

“Vagueando ...”





Batem asas, as palavras
na minha boca entreaberta.
Aguardam o beijo,
que será demorado e
quente.
Agitam-se os lábios ao roçar cálido, sedente e vagaroso ...
Desperto de mim,
Num acordar sem nome nem memórias.
Em ti ...
Regresso ao inicio, ao principio de tudo.
Enternecida, renasço, todas as noites, nas tuas mãos.
Trémula de ternura,
Impregnada de Amor.
Sem pressas, espero o teu amanhecer,
O desprender da tua essência.
Que soltará o verbo,
Num sublime alvorecer,
Desabrochando a consciência de nós!

Mittwoch, Mai 21, 2008

Cumplicidades ...





Capturámos o tempo nas palmas das mãos,
E com as pontas dos dedos, por efémeros momentos ...
Reinventámo-nos em silêncio,
Amando-nos!

Testemunha desta íntima loucura,
A noite com manto de lua.
Cúmplice silente do elo sólido que nos liga,
Nesta e noutra vida.

Em cada um dos teus poros,
Afogueada, transvazo-me
E no teu corpo tenso, intenso,
ressumbro-me inteira,
como tórrida tempestade
numa noite de Primavera.

Essencial à minha, a tua pele.
Parte de uma só essência,
Duma existência e também,
Da nossa consciência.

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Sou barco-corpo,
Em mar adentro,
Velas desfraldadas no teu vento.
Naufragamos juntos,unificados.
Soçobrando ...num poema a duas bocas.


Montag, Mai 19, 2008

(...)






Adormeço, como se ainda soubesse acordar no teu olhar !


Donnerstag, Mai 01, 2008

Saudades ...




Invisivel, mesclo-me na paisagem,
Hoje, cinzenta e fria.
Chove-me saudade adentro,
Entorno-me na noite, vazia.



Donnerstag, April 24, 2008

"Silhuetas na madrugada"






Creio sentir-te!
E sei que não voltas!
Ocultaste-te nas sombras, e na memória
Do meu ontem.
Persistes na insensatez dum hoje,
Na burla de dias incolores, cego de fé e acalantos,
Esquecimento de momentos mil.
Inverdades!

Bruxuleia uma chama acesa, e...
Acorrenta-me o pensamento encadeado,
Espelhado nas paredes da noite.
Sombreando o que somente,
Nas horas mortas me atrevo a fantasiar.

Fundo-me com o tempo.
No Tempo que enseja Primaveras
Nos olhos floridos de vidas.
Afagada pela brisa morna, e
Nos braços cúmplices dum sonho ameno.
Adormeço.

Errático, no horizonte macilento,
Entrevejo-te.
E na certeza que amanhã, não virás.
Entrelaço letras,
Teço palavras, urdo poemas,
Adorno-os de esperanças e brilhos.
Que até ti chegarão, um dia,
Num suspiro sussurrado,
Numa canção, oração ou num fado!

Dienstag, April 08, 2008

“Ninando saudades”


Molda-se teu odor
Na pele da minha saudade.
E na memória ...
Tua voz acurta a espera
Que habita nos espaços duma ausência.

Vem … Vagaroso.
Entra pausado e ternurento,
No colorido do meu corpo.
Deixa ondas sobre a lua
E paisagens perfumadas
No meu mar.

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Espraia o verde,
Nas brancas e nostalgicas serranias.

Longe, longe ...
Renasce a antemanhã ...
Ínclita!
E que dure no cair duma eternidade
Enquanto o sol se apaga,
Embalado num céu anil.

Além ... Noutros mundos
No horizonte índigo da alma.

Mittwoch, März 12, 2008

"Reflexos"







Estendem.se as horas numa languidez inquietante.
Adormecem os olhos, numa visão dupla. Afatigada.
Apercebo contornos ímpossiveis. Teurgícos!
Famintos de tudo e nada.

Não me pertencem estes gestos autónomos,
E as palavras, ouço-as, ciciadas ...distantes.
Como se de mim a cordura tivesse desertado,
Renunciando a entender, a ver.
A mais querer.

Na lonjura e em silêncio,
castigo-me e protejo.
Num absentismo morno, renascem energias
demulçam sentires.
À flor da pele, numa alvorada
Borbotam ninhos de poesia.


Mittwoch, März 05, 2008

"Desenlaces"



Morrem rasgadas todas as páginas.
Queimam-se as palavras antes de nascerem,
Em fogo no gelo que me abraça.
Voz em voo, espirais de silêncio!
Selando pactos entre espaços.
Nas entranhas dum lamento.
Te enlaço!

Avivam-se rituais, na madrugada porvir.
Hoje será noite sem fim.
Estrelas caídas num horizonte ignoto.
Alma desgarrada, insana e merma
Vem a mim!

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Clamo a fúria do Trovão,
A neve, o gelo,
E o frio do vento Norte!
Encadeados tormentos
Todos os Elementos!
Te embaço!


Segredos do Tempo, adjuro!!
Brumas, Arcano.
Cicatrizes de túmulo
Pedaços de gritos feridos,
deles, a ferro e fogo te revisto
Longe no Eterno.

Ceptro meu, outorga-me o Poder
Mãos de Luz, circulo Real,
Dom de Amor, peço que me concedas,
Protecção e abrigo!
E que minha vontade seja feita!

Eu Quero!
Assim Seja!
Assim Será!


Donnerstag, Februar 28, 2008

"Ninho de carícias"



Apeteces-me ...



Vontade dos teus lábios ao entardecer,
De naufragar na tua pele.
Afogar-me em teu regaço,
Arcabuzando esta saudade,
Num abraço!

Apeteces-me agri-doce,
Meigo, animal, cabal.
Instintos ao rubro,
Ancestral!

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Apeteces-me ...
Em cama de linho,
Teu corpo em ninho.

Dedilhar-te, com carinho, poesias no olhar,
Tecer luas em teus cabelos.
Bebericar do teu ser, a caricia atrevida.


Sacear na alma, a sede de ti.
Morder teu beijo,
Adentro ...em mim!

Apeteces-me assim!
Tu!

Freitag, Februar 01, 2008

Letargia










Espero a Primavera das palavras.
E que seja ela ...
Que rasgue o ventre,
Parindo este silêncio invernoso!
Exorcizando a noite purpurina e acrimónia,
Acomodada na alma,
Afugentando o Verbo!

E que alfim ...
Amanheça o poema!


Samstag, Dezember 22, 2007

*É Natal*


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Cá estamos!
Mais um Natal ...mais um ano chegando ao fim!
E a esperança de um Novo Ano melhor, rejuvenece, abrilhantando olhares.

Aquecendo as noites longas e frias, nesta época.

E tantas vezes esquecemos, esta vida privilegiada que temos, tomando-a, vivendo-a ..esquecendo de agradecer por todos os dias, pela bondade, abundância e comodidades.

(A mim faltam-me vidas, para agradecer)

Porque há outros ...que apenas sonham com metade do que nós temos.Nem casa, nem familia, nem que comer.
E outros ..enfim, outros que tudo têm e não o valorizam.
Nem familia, nem amigos, nem o carinho. Apenas o material!

De Alma ...
Desejo a todos tudo de bom!
Que todos os sonhos se tornem realidade.


Bem Hajam!





*Boas Festas*






Donnerstag, November 15, 2007

“Forasteira“



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Chegam-me os dias como vésperas do ontem.
Quando te estendia as mãos,
como barco perdido em alto-mar,
Buscando uma torre,

Um farol!
Uma luz-guia no teu olhar!

Secretas eram as portas, abertas ao teu encontro!

E o tempo pleno de magia, passou!
Secaram as palavras.
Despidas de ternura e melodias.

Hoje sou toda eu, Alma calada.
Numa vida que não é minha.
Num mundo desconhecido.
Casa visitada por silêncios,
Paredes caídas.
Destroços espalhados,
entre ervas daninhas e serpentes.

Recolho-me na mudez.
E guardo a custo todas as loucuras que não vivi,
E os verbos costuro-os a linha grossa,
Na assimetria da dor que me dói.
Nua!

Dienstag, November 13, 2007

November Rain



„Na morte de todos que já partiram ...
Está sempre um pouquinho da nossa!“




me
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Li esta frase algures, numa das minhas visitas pela net.
Assim me sinto desde que partiste!
Desenraizada!!

E morro tantas vezes por dia quando sinto tua presença abraçando-me.
Invadindo todos os cantos da minha memória!
E embora te saiba comigo a todos os instantes, protegendo-me e mimando,
E apesar dos anos ...sinto a tua falta, pungente de saudade infinita.

Comprei-te açucenas brancas!
E no silêncio, sorriste-me.

Pensei que este ano que começara morno, e bonito;
Poderia tornar-se suportável o encontro inevitável com o Novembro.
Este é tão frio e vazio, como o de há 10 anos.

Sabes ...

Sinto-me imensamente orfã e só!

Montag, November 05, 2007

Schiu ...Abraça-me.


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Na melodia de teus braços, procuro alento,
Força e Sossego!
No teu ombro descanso o olhar cansado.
Lasso!

Fica assim!
Assim, por favor ...mais uns instantes!
Aquieta-me!

Embriaga-me de carinho,
rosas vermelhas, música e lírios.
Que tuas mãos, enlacem o caminho.
Avivando no corpo, o fogo,
inspirando a onda seca,
E o desmaiado dos sentidos.

Acaricia-me aquando eu,
gemido dolente, bruxuleante,
me dilua em teu sangue,
e minha alma se evapore,
No calor do teu peito!

Depois ...
Livre!
Serei apenas afago!
Mãos plenas,
desenhadas na tua eternidade!


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Montag, Oktober 15, 2007

Desesperança











Ausente de mim, parti sem despedidas ansiosas ou lágrimas esquivas.
Tremeluzem nas mãos abertas, céus insossos de estrelas, repletos de vazios!
Transbordam de tempestades, os olhos, diluvio de emoções,
escoam rios, gotejando meses de exaustão.
Um agrapar improfícuo, frustrante, esperança seca, pálida!
Ramo pendente, fustigado na tormenta de sentir, vácuo de uma ilusão.
Corpo calcinado, mapa flagelado, de uma terra distante.
Devastado por equívocos!
Alongo o braço, estendo a mão e nada agarro.
Tudo escapa por entre os dedos.


Já não consigo ultrapassar a distância fatídica, entre o ser e estar.
Acomprida-se o caminho estreitando-se, sufocando o respiro.
Turvando a visão, a compreensão!
E nos limites dum querer sem eco, sem florido ou colorido, desfaleço!
Deixo-me escorregar no precipício, asas partidas, desaguando numa queda abismal, o fogo da alma que desmaia lentamente.
Sangrando a dor, profanando a vida no peito.
Aborto-me!

E dói o pensamento, a impotência de expressar o sentir!

E pensar que a solução ao desamor, seria,
Carinho!
Doar de pulsos abertos, sem urdiduras ou julgalmentos apressados.
Esperar resposta sincera a atitudes ilógicas.
Perdoar foi o lema sólido que sempre embalou as dores aguçadas que tantas vezes me rasgaram, cortando a pele, tatuando o ser.
Sinto-me esgotada, mutilada!
Cansada!

Mas não chego a lugar nenhum, neste passo impulsivo!
De querer, de poder entender!

Mas também, não quero sair desta modorra!
Fico neste canto escuro, morno, insciente do momento que já passou.
Inane ..beirando o nada, precipitando num mundo estranho, longínquo de mim.
Além alma, além dor.
Anestesiada!

Quero a aconchegar-me, as minhas memórias pelos ombros, mesmo que esfarrapadas, remendadas, são refúgios para os sentidos.
E hoje ..necessito-o!


Sonntag, Oktober 07, 2007

„Colar de ternuras“


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Se eu morrer amanhã ...
Não me lamentarei, pois a morte não temo!
Receio sim o arrastar da vida.

O sobreviver, sem sonhos, ou horizontes.
O cruzar de braços, não tentar!
O viver sem Norte.
Sem estrela guia!
Sem porto seguro, ou segura moradia!

Se eu morrer amanhã!
Não levarei comigo lágrimas
Nem desgostos, desilusões ou esforços.

Tudo deixo na terra, aprofundado,
junto ao corpo, semeado.
O desprezo nos teus olhos,
O silêncio acurralado,
E as palavras caladas.
Inconstantes!


(Antes da chuva chegar:
Hão-de florescer,nos teus lábios;
lindos e brancos Lótus
Iluminando teu escurecer.)


Levarei no meu peito, da partida a saudade.
O coração descerrado, o perdão, o desculpado.
Do amar imensurável,
Do sentir sempre alado!
O desejo, o respeito ...
Da luta pelo exacto!

Por valores sempre mais altos!

Se eu morrer amanhã ...
Cicatrices, purpurarão as madrugadas,
Em bordados transparentes.
Frágeis auroras, aveludadas,
De maresias prateadas,
Fios de uma lua ausente!


E se eu morrer amanhã!!
No pescoço, a adornar, quero levar,
O colar!
O de fogo, o do altar.
Com ele o seio proteger e abrigar,
O arcano indecifrável.
De te amar!