Samstag, August 27, 2005

Contos

Um senhor,
há muito tempo, muito tempo ...
tanto falou que seu vizinho era ladrão,
que o rapaz acabou preso.

Dias depois, descobriram que era inocente.
O rapaz foi solto e processou o homem.

No tribunal ...
o velho diz ao juiz:
"-Comentários não causam tanto mal!"

E o juiz responde:
"-Escreva os comentários num papel, depois pique e jogue os pedaços no caminho de casa.
Amanhã, volte para ouvir a sentença."

O senhor obedeceu e voltou no dia seguinte.

"Antes da sentença, terá que catar os pedaços de papel que espalhou ontem." Disse o juiz ...

Responde o velho:
"- Não posso fazer isso.
O vento deve tê-los espalhado, já não sei onde estão."

Responde o juiz:
"- Da mesma maneira,que um simples comentário pode destruir a honra de um homem, a ponto de não podermos consertar o mal."

Se não se pode falar bem de uma pessoa,
é melhor que não se diga nada.

Sejamos donos de nossa boca,
para não sermos escravos de nossas palavras.



("roubei" algures na net, ..numa das minhas muitas viagens, desconheço o autor")

Donnerstag, August 25, 2005

Genialidade

Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...



(Clarice Lispector)


OBS.: Agora leiam de baixo para cima. Pura arte ...pura genialidade e a riqueza da lingua portuguesa.

Parábola da rosa


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Um certo homem plantou uma rosa e passou e regá-la constantemente e
antes que ela desabrochasse,
ele a examinou.


Ele viu o botão que em breve desabrocharia, mas notou espinhos sobre o talo e pensou:
"Como pode uma bela flor vir de uma planta rodeada de espinhos tão afiados?"

Entristecido por esse pensamento,
ele se recusou a regar a rosa e,
antes que estivesse pronta para desabrochar,
ela morreu.

É assim com muitas pessoas.
Dentro de cada alma há uma rosa:
as qualidades dadas por Deus e plantadas em nós crescendo em meio aos espinhos de nossas faltas.

Muitos de nós olhamos para nós mesmos e vemos apenas os espinhos,
os defeitos.
Nos desesperamos,
achando que nada de bom pode vir de nós, e, consequentemente, isso morre.

Nós nunca percebemos nosso potencial.
Algumas pessoas não vêem a rosa dentro delas mesmas.
Alguém mais deve mostrá-la a elas.

Um dos maiores dons que uma pessoa pode possuir ou compartilhar
é ser capaz de passar pelos espinhos
e encontrar a rosa dentro de outras pessoas.
Esta é a característica do amor,
olhar uma pessoa e
conhecer suas verdadeiras faltas.

Aceitar aquela pessoa em sua vida,
enquanto reconhece a beleza em sua alma e
ajudá-la a perceber que ela pode superar suas aparentes imperfeições.

Se nós mostramos a essas pessoas a rosa,
elas superarão seus espinhos.
Só assim elas poderão desabrochar muitas e muitas vezes.

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(desconheço o autor ..encontrei na net)

Om Mani Padme Hum


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Mittwoch, August 24, 2005

A tristeza e a fúria




Num reino encantado onde os homens nunca podem chegar, ou talvez onde os homens transitam eternamente sem se darem conta ...

Num reino mágico onde as coisas não tangíveis se tornam concretas ...

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Era uma vez ...

Uma lagoa de água cristalina e pura onde nadavam peixes de todas as cores existentes e onde todas as tonalidades de verde se reflectiam permanentemente ...

Aproximaram-se daquele lugar mágico e transparente, a tristeza e a fúria, para se banharem em mútua companhia.
As duas tiraram os vestidos e, nuas, entraram na lagoa.

A fúria, que tinha pressa (como sempre acontece com a fúria),
pressionada pela urgência -sem saber porquê-, banhou-se rapidamente e, ainda mais rapidamente, saíu da água ...

Mas a fúria é cega ou, pelo menos, não distingue claramente a realidade. Por isso, nua e apressada, pôs, ao sair, o primeiro vestido que encontrou ...

E aconteceu que aquele vestido não era o dela, mas o da tristeza ...

E assim, vestida de tristeza, a fúria foi-se embora.

Muito indolente, muito serena, disposta como sempre a ficar no lugar onde estava, a tristeza terminou o seu banho e, sem pressa -ou, melhor dito, sem consciência da passagem do tempo -, com preguiça e lentamente, saíu da água.

Na margem, deu-se conta de que a sua roupa já lá não estava.
Como todos sabemos, se há coisa que não agrada à tristeza é ficar nua. Por isso vestiu a única roupa que havia por ali:
O vestido da fúria.

Contam que, desde então, muitas vezes nos encontramos com a fúria, cega, cruel, terrível e agastada. Mas se nos dermos tempo para olhar melhor, apercebemos-nos de que esta fúria não passa de um disfarce e, por detrás do disfarce, na realidade, está escondida a tristeza.



Tirado do livro "contos para pensar" de Jorge Bucay

Montag, Juli 11, 2005

Naufrago de Beijos


Um beijo ...
Um beijo só ...
a sabor de água e sal.
Espraiando emoções em meus lábios;
Sedentos de mar vivo.

Ah este coração que me abandona;
... e no entanto,
não pára de bater
...e doer-me!

Escorrem meu olhos,
mergulham em teu olhar
...e naufragam.


Como um naufrago ou barca vazia ;
Dançante à deriva
na revolta de ventos e marés.


Por entre silêncios


Passeio entre os teus silêncios,
Os longos, os dolorosos,
Os vazios, e os plenos de sorrisos.


Passo a passo, toque a toque;
lenta e ternamente …

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Sigo sons que não ouves;
Olhares que não vês;
Sentires que não pressentes;

Procuro no infinito dos meus pensamentos
tentando encontrar um eco que seja ...
da tua voz
e o cheiro de uma caricia…

Quando passeio nos teus silêncios!
Tu…
… és o inicio;

E o fim da minha solidão.

Donnerstag, Juli 07, 2005

Anti-diagnóstico (ou indesvendável sonhadora)


É o vento, só o vento!
É o mar e apenas o mar!
É o azul e somente o azul
Como o tenho em mim!

É o amor, que nunca ninguém
Definiu integralmente!
Apesar de todos o sentirem!!!!
És tu como te sinto!
Apenas assim! E isto diz tudo…

Não obstante, dizendo isto apenas!
Tal como tudo o que amo…
Nada se pode definir além disto!
Nada se pode diagnosticar além disso!

É a essência do indecifrável sentimento
Que por maior seja o esforço
Recusa a forma de letras!
Pois que palavras usaria?
Que letras?
Se todos as que existem são tão poucas!

Se todas as insistem em aparecer-me Defronte,...sibilantes…inomináveis…
São apenas um nada no todo que és!

Quantos dicionários teria eu de inventar
Quantos sons, quantos alfabetos seriam precisos?!
Quantos?
Quantos…para descrever-te?!
Quantas vidas teria eu de ter?!
Para dizer-te tudo o que és!?
E seriam apenas palavras…
Palavras! Apenas palavras o que diria…
Meras letras….juntas, separadas…
Em sons formadas…sonantes, dissonantes!

Poderia talvez dizer que és um Todo…
Que és mais, muito mais, do que digo…
Mas tudo isto é reticente…
Contudo, nada há que seja Bom,
E se desvende!

Mas não digo nada…
E continuas Tu assim…igual a Ti mesma.
A totalidade além da soma das partes!

Mesmo que eu me cale!
Mesmo que eu grite
Com a voz do silêncio,
Ou sinta apenas ….

Tu só Tu!
Tu, apenas Tu!
Tu de Imenso Azul,
Azul de Sonho…
Oculto talvez, nas entrelinhas
De um poema nunca escrito!
Nunca dito, declamado, achado….
Ou feito palavras…

Que se faça silêncio em mim…
E assim talvez te anti-diagnostique!
Por não poder diagnosticar-te!

(AlmaAzul)

Mais umas palavras oferecidas à minha pessoa, desta vez pela AlmaAzul.E como devem ter reparado,o cantinho mudou de visual ...pois sim, oferta tb da Almita, sem a insistência e a paciência dela nem aqui estaria.
Foi ela,numa noite em que eu nada tinha que fazer,e provavelmente lhe estava a azucrinar as orelhas (risos)...ela resolveu ocupar-me.
Ensinou-me a dar os primeiros passos por aqui.
Obrigada Alma ...beijo *


Torpor de sentidos ...
Abismo aberto, saudades.

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Sucumbo.
E num momento de silêncio!
Fragmento-me.

Dienstag, Juli 05, 2005

Freitag, Juli 01, 2005

„És de mim“

Queria falar-te de mim:

Sentar na varanda;
Perfumada de jasmim
Velas, decorando o tempo
E falar-te assim;

Dizer-te…
Que és o meu tudo
O todo que procuro
Meu passado, presente, futuro.

És o meu amanhecer,
Meu raio de sol, beijando os dias.
És a terra que piso firme
Deixando pegadas no caminho.

És o anoitecer,
Serena noite acariciando o adormecer.

És a maresia, a poesia, meu ser!!

És sorriso em cada detalhe
És a voz, quando me calo.
O vento que me embala
A canção que danço
O movimento!!

És meu mundo,
Minha alegria, meu tormento!
Meu refugio, meu porto seguro;
Onde me aconchego quando preciso colo.

És...Chegadas e partidas…
As mais incertas as mais concisas!

És amor, és sonho;
Minha morada, minha guarida..
És minha alma...
És meu tudo e meu nada.

Dienstag, Juni 21, 2005

Eu ...sonhadora


Queria poder possuir asas,
Asas luminosamente brancas,
Imaculadas e serenas…
Como as de anjo.

Queria apenas…
e por um momento apenas,
Um pedacinho de tempo,
Para poder descansar o cansaço,
Num abraço.
Sentir-me menina
E poder serenar este peso
Que sinto nos ombros!

Por apenas… instantes,
Quero que nada me perguntem,
Nada peçam…
Que me permitam o direito
De gritar a saudade
Dos ausentes,dos presentes!

Que eu possa... por segundos
Dar vazão às lágrimas,
Azuis do meu sentir...

Que possa enfim…
Despir a máscara que trago na alma
Do “está tudo bem”
Do “sou forte e valente”.

Quero ser a criança
Que chora livremente ;
Que corre com o vento;
Que dança nos braços do sol
Que abraça as estrelas
Que murmura segredos
Na natureza escondida da Vida!

Dor do mundo
Gemendo desespero.
Sinto,
Estilhaçando meu peito.
A escuridão que não encontra o caminho.
Portas fechadas a mãos estendidas…

Quero poder dizer do meu jeito,Sereno…
“Está doendo…”
“Está sangrando…”

Quero que… por segundos apenas…
Me ponham no colo
Que me deixem adormecer
Num ombro silencioso!

Passará a momentos,
Secarão as lágrimas,
Despirei as saudades,
Ressurgirei da dor
Mais forte,mais humana!

Então,por favor…
Por apenas uns momentos
Deixem-me ser…
Frágil
Igual a todo o mundo,
Especial como cada um.

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Ser apenas eu…Sonhadora!

Freitag, Juni 17, 2005

Beijo de Alma ...


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Para Alma Azul

Bigadus ...*

(já cá volto a comentar)

Mittwoch, Juni 15, 2005

Apeteces-me


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Apeteces-me esta noite!

Vem!!
Apaga a beijos o verbo aceso que escorre nos lábios meus!
Escreve-me a fogo a pele;
poemas, com teu corpo.

No seio,
queimam versos de mãos abertas!

Bailemos!
Em lençóis desfeitos de paixão
Num ritmo descompassado,
De corpos colados, perdidos, suados ...

Apeteces-me!

Lábios com lábios ...
Pele com pele ...
Apeteces-me ... assim ...em mim!

Balada a uma Fénix...


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Diz.me, madrugada, das cores que beijas a voar...
Dos acordes inventados entre flores
Das tuas mãos, planetas de sonhar
Da terra que semeias com ardor
Do teu medo...
Das tuas dores...

Mostra.me devagar como te deitas...
Em ninho que incendeias no teu frio
No abraço do corpo que inventaste
Lençol de amor enluarado
E das lágrimas,
E do vazio...

Conta.me em aconchego de lareira
Dos rios de estrelas
Que bordas na cabeceira...
E do sol que acordaste à meia noite...
E das asas que protegeste a uma fada...
Na montanha...
Mulher alada...

Segreda.me no corpo de uma canção
Do beijo que abençoaste no infinito
O mais raro, o mais bonito
Tesouro delicado em corpo esfera,
Espiral de luz
Vénus de mansidão...

Ensina.me a saber olhar.te assim...
Dentro das cinzas onde te renasces,
No brilho eterno que transporta o teu olhar
À serenidade que te acarinha
A outro mundo
A outro mar...


(mulata)

Obrigada pela oferta, mulher bonita ...
Obrigada pela Amizade que todos e cada dia me brindas.
O carinho ...e esse abraço!
Saudades ...imensas *

Dienstag, Juni 14, 2005

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...Levemente inebriada de sonhos e paixões;
Momentos...
docemente roubados ao tempo

Sonntag, Juni 12, 2005

Anjo Caído!

Já não sei quem és.

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Da minha boca incapacitada de gritar mais alto que o silêncio !

Escrevo no vazio, as palavras que não sei dizer a quem me rasga;
Porque preciso acreditar que amanhã o sol brilhará!
Mas tu …
Tu …já não és tu em mim


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Morreste-me!

Samstag, Juni 11, 2005

Silêncios


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(...) converso silêncios com a minha sombra.Vivo naquilo que imagino, com a certeza de que voltará para mim.E fico nesta casa onde nasci.E fico nesta casa onde, um dia, no instante em que morrer, todas as portas se abrirão lentamente.
(...)

José Luís Peixoto; excerto de "Cristal", in Antídoto

Freitag, Juni 03, 2005

Amanhecerei!


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Talvez que o tentar escrever me inspire de algumas palavras sopradas por aí;
Numa qualquer brisa, adormecida na noite quieta!

Perdi o norte ao verbo;
Congelei os sentidos, na poeira de sonhos destruídos!

Estou seca, rigida ...fria, vazia!

E ...escrever sobre o nada é dolorido.

Meus olhos ganharam em prespicácia
Perderam em sorriso ...os lábios!

Minhas mãos ficaram pesadas,
quase "partidas" ..por falta de palavras;


Meu coração,
E todo meu corpo;
...são exigentes!
Precisam do rufar de tambores ...
Da algazarra de pássaros despertando a manhã ainda sonolenta ...

Preciso de Verdade!
Da sinceridade de ser e estar dos amigos!

Voltarei numa Primavera triunfante...

E quando eu ...verdejante,
Semear letras ...
plantar palavras;
Colherei as cores floridas de corpo e alma inteira!

E mesmo que as estações mudem...
e um vento frio anuncie o começo do Inverno ...
E o fim de outro ano ...
Regressarei !
Com o verbo em fogo nas pontas dos dedos
E de poesia vestida!